domingo, 20 de fevereiro de 2011

Rio

Os puritanos podem chegar e dizer que samba em inglês não presta...
Podem dizer que não precisávamos disso pra ver nossa cultura crescer.
Blah, blah, blah.

Temos muitos argumentos pra defender a cultura brasileira.
Mas digam o que disser, é muito bom ver um pouco de cor e samba em produções internacionais. Ver o Brasil no mundo... E reconhecer ali um ou outro traço de brasilidade, mesmo que intencional ou ignorantemente esteriotipado.

No caso deste filme, digam o que quiserem... Eu não vejo a hora da estreia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Epifania da Lua

Como ser humano, vivo a dúvida.
Como ser humano, busco sonho e presságio.
Mais que a esperança... Busco certeza.

Peço a Deus por um pouco de força e coragem.
Vivo um momento de seguir o meu caminho.
E já tomei a decisão de seguir para outro lado da estrada...
Mas será que dessa vez haverá outro muro?
Será que haverá chão até o fim?
E o medo?
Piedade ao careta. Piedade ao covarde. Senhor, piedade. Já dizia o poeta...
E depois de muito tempo de ansiedade e indecisões, consigo um dia de paz.

Chego em casa e ligo o computador.
Estou cansado. Procuro refúgio.
Estou seguindo para mais uma noite igual.
Eis que - mais uma vez - mergulhado em preocupações, me vejo no escuro.
Desta vez, um escuro real.
Escuro sem tecnologia e modernidade.
Escuro sem refúgios artificiais.
Escuro sem conotações.

Procuro então a mobilidade. A bateria. O fone de ouvido.
E música para o tempo que passará arrastado.
Deito na cama e imagino que o melhor é deixar o som trazer o sono.
A brisa é leve e não leva o calor.
O sono custa a chegar... E não é o suor que o mantém distante.
A culpa é da luz.

Mas a luz foi embora...
O prédio na frente compartilha as trevas.
O quarteirão inteiro está apagado.
Que luminosidade é essa que invade o quarto?

Chego na sala, também iluminada.
Da varanda, vejo pela primeira vez.
A noite já está no meio, mas não havia percebido que ela estava lá.
Branca como sempre.
Cheia e fabulosa.

Sento no chão e começo a encará-la. Estou só.
Já que não me deixará dormir, o melhor a fazer é contar com a companhia dela.
No ouvido, apenas o som da música. A vizinhança está calma.
E parece que, assim como eu, ela também precisa da minha companhia.

Piedade à inspiradora. Piedade à romântica.
Piedade àquela que antes dançava, e hoje foi esquecida.
Pois os amantes não têm mais tempo de notá-la.
Os poetas não buscam mais a criação da sua luz.
E os solitários não se refugiam em sua companhia.
Ficarei com ela.

Reflito sobre o presente e as aspirações.
Sobre o caminho.
Lembro do meu clamor por força.
E uma música começa a tocar...



"Pois o sol de um novo dia vai brilhar
E essa luz vai refletir na nossa estrada
Clareando de uma vez a caminhada
Que nos levará direto ao apogeu..."

Não é a luz do Sol, mas a luz está ali.
As lágrimas não tardam a chegar.
"Não era isso que você queria ouvir?"

A menina branca continua me olhando.
Começo a me sentir culpado.
Afinal, foi por mim que a luz faltou...
Um quarteirão inteiro às escuras, só pra que eu me encontrasse com ela.

Músicas calmas embalam nosso encontro.
Quando uma mais agitada começa a tocar, imagino festa no céu.
Eis ali mais que criação.
E a Mãe Natureza faz-se presente em outra canção.
Que começa a tocar...
(E eu, que nunca tinha parado pra entender, percebo que a letra também quer se encaixar)



"I wanna turn the whole thing upside down
I'll find the things they say just can't be found
I'll share this love I find with everyone
We'll sing and dance to Mother Nature's songs
I don't want this feeling to go away
"

Eu não quero ir embora.
E você permaneça onde está...
Pois o momento é único para nós dois.
Ela responde que sim. E fica mais luminosa.
Vaidosa de voltar a inspirar alguém.

As músicas seguem.
Os pensamentos seguem.
A noite segue.
Horas se passam...

Começo a pensar...
E se ela for ciumenta?
E se ela não quiser que as coisas dêem certo, porque quer mais momentos como esse?
Não, minha querida. Não peça por isso.
Você tem todo o universo.
Milhões de olhares aqui embaixo, que embora esquecidos, poderão voltar a te perceber.
Torça por mim. Que eu, na minha simplicidade e pequenez, consiga realizar alguns sonhos.
Prometo que lembrarei de você.
O seu brilho será a luz da minha vitória.

A reflexão segue.
Percebo que o prédio da frente não deixará que eu a veja por muito tempo.
Ela parece dizer a mesma coisa.
Está chegando a hora da despedida.

Celebremos este momento.
Façamos dele um pouco maior.
Vamos dançar em pensamento.
Nós e todos que presenciam esse momento.
Estejam onde estiver...
E não é que outra música toca pra que a festa se faça presente?



"Sexy Kung Fu Fighter
Let me take you higher"

Ela sabe que não luto Kung Fu.
Mas guerreiros estão aí... Na vida.
E hoje, foi ela que me levou mais alto.

Ah, não. Lá está indo ela...
Neste final, nuvens começam a encobri-la.
Até então, ela mostrou-se inteira.
Agora, começa a se esconder.
Talvez não queira que eu a veja triste...
Menos luminosa.
Adeus, garota.
E obrigado por clarear minha vida quando eu mais precisava.
Obrigado a Ele e a todos aí em cima, que participaram desse encontro.

E ela desaparece por trás do prédio...

Levanto-me.
Vou a cozinha e bebo um copo d´água.
Vou ao banheiro. Escovo os dentes...
E sigo para a cama.

Continuo ouvindo a música, agora sem muito significado.
O sono começa a chegar.
Vou apagar... Minha luminosidade também se foi.
Mas antes de adormecer, um último suspiro.
Um último som.
O boa noite.
Antes de me desligar do mundo...
Ela se faz presente com o beijo final.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Uma verdade inconveniente

No meu atual trabalho, é oferecida aos funcionários, de vez em quando, a oportunidade de assistir a um filme durante um dia de trabalho. Para que os funcionários não percam duas horas de trabalho, ou uma hora de almoço e outra de trabalho, o filme é quebrado em duas partes, sendo exibidas em dois dias. Três filmes são sugeridos para votação.

Ainda não vou entrar no mérito deste tipo de ação dentro da empresa...
O que quero é falar do filme.
Desta vez, a disputa pela exibição ficou entre três documentários sobre as consequências do aquecimento global... E o vencedor foi 'Uma verdade inconveniente'.

O documentário, vencedor do Oscar 2007 e dirigido por Davis Guggenheim, é baseado nas palestras de Al Gore pelos EUA e pelo mundo, abordando a interferência nociva do homem no meio-ambiente e os efeitos dessa intervenção.

Não foi o filme que eu escolhi, mas fui assistir assim mesmo.
Ontem, vi a primeira parte... Hoje, verei a segunda.
E mesmo antes de ver o final, já quero escrever sobre ele.

Esse não é mais um assunto inédito. Não é uma informação nova. Estamos acostumados a ver e ouvir falar do aquecimento global e já encaramos como um problema real. Mas a questão está justamente aí... Não é informação nova e estamos acostumados.

O filme é extremamente didático, porque a palestra de Al Gore é didática. E acredito que, ao mesmo tempo que pra uns pareça 'chato', é exatamente este didatismo que causa comoção. Porque o filme não deixa de mostrar a tragédia climática pelo prático, por imagens reais dos efeitos, mas comprova para os muito acadêmicos que não se trata de brincadeira ou "viagem de hippie".

O filme e a palestra em si são explicitamente direcionados ao povo e às autoridades americanas. Embora mostre os efeitos mundiais, fica claro que o filme quer tocar o americano. Quer mexer com a maior potência mundial, lembrando que existem males e preocupações maiores que o terrorismo e que o mundo precisa de ações imediatas.

Propositalmente, o filme mostra imagens antigas de políticos considerando a causa ambientalista uma besteira. Lembrei que, no Brasil, também foi assim... O Partido Verde, que - a meu ver - ganha cada vez mais razão de existir, sempre foi considerado o partido dos doidões. A imagem era confundida com os macrobióticos, naturalistas, vegetarianos, maconheiros ou mais diretamente com a do Gabeira. E nunca foi levado muito a sério...

Ontem, vivi mais um momento de reflexão profunda durante o filme.
E, curiosamente, o incômodo maior veio com a sessão em si.
Agora sim, voltando à atividade, não precisa dizer que o momento do cinema é sinônimo na empresa de trocar trabalho por lazer. São duas sessões diárias, que acontecem no horário do almoço de cada turno, dividindo os funcionários. Eu trabalho na parte da tarde/noite e, por isso, o meu horário é o mais vazio. Mas como eles sempre oferecem um lanchinho, muita gente entra e sai do auditório para comer.

É engraçado como as coisas ficam claras...
Foi vendo aquele entra e sai de pessoas que tive a real noção do filme de Al Gore. E da missão difícil que ele tomou pra si.

A maioria das pessoas se assusta com as imagens dos slides, com os dados dos slides, mas fazer com que elas deixem suas vidas de lado, seus desejos, anseios, sonhos, além de sua vontade de matar trabalho ou comer biscoito e beber suco de graça, ao ponto de se engajar na causa, é quase impossível.

O filme mexeu comigo de uma forma bem pessimista.
Por mais que vejamos solidariedade em tragédias como a da região serrana do Rio, sei que a ação é pautada mais pelo sentido de não se sentir desumano do que por uma preocupação real. Ou, se é preocupação, é mais pela proporção da tragédia. Mas estamos acostumados com o deixar rolar... Com o "não posso fazer muita coisa". E vamos nos deixando levar. Daqui a algum tempo, se pedras rolarem em outro canto do Brasil, com um número de vítimas menor, vamos ver menos gente se mexendo pra ajudar. Afinal, a tragédia não é tão grande assim.

Outro dos pontos altos do filme é mostrar o crescimento da população nos últimos 50 anos. A Terra não estava esperando por isso... Não temos como sustentar tanta gente. Nessse momento pensei mais uma vez em toda política pública ausente nos quatro cantos do mundo. Toda falta de controle. No Homem querendo crescer, expandir, descobrir, explorar, criar e, principalmente, procriar, sem controlar seus atos. A nossa liberdade e o nosso direito de fazer o que quiser indo muito além da liberdade do alheio, do que está em volta. A nossa. O meu. O Eu.

Um dia, ouvimos dizer que o ser humano é o vírus da Terra. Porque destrói e cresce exponencialmente. Hoje, temos certeza disso. O mundo está doente pelo descaso e o egoísmo do ser humano. Como toda ação gera uma reação, temos agora a forma como a Natureza encontrou (e é explicada no filme) para se curar desse mal. Ao ver tantos sinais e ver tanta gente ignorando esses sinais, só um sentimento pode existir: que se dane o Homem. Venha Sol, pode queimar. Venha chuva, pode afogar. Venha mar, pode inundar. Venha neve, pode congelar. Venha vento, pode destruir. E quem não for afetado, que continue comendo de graça, negando a informação, achando exagero, até a próxima estação.

O último que se salvar, apague a luz, por favor.
Afinal, energia é caro e a conta é alta no fim do mês.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O indubitável

Não sei fazer poesia...
Sempre que tento, soa pueril.
Soa óbvio.

Não sei rimar...
Nem mesmo pra letras de música.
Soa forçado.

Sei que a autocrítica é destrutiva.
Mas quando não há vocação
Não há dúvida.

Não sei conotar...
Nem mesmo no dia-a-dia
Tudo é noite

Não sei fazer poesia...
E isso é triste, aleija
O meu jeito agoniado

Pois a poesia existe nos outros
Mas eu existo, e não sei expressar
Não há dúvida.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

No dia em que eu virei um NET

No dia em que eu virei um NET, eu ainda era bem novo... Não conhecia a maioria das pessoas que conheço hoje.
No dia em que eu virei um NET, eu gostei de saber que poderia ver uma programação maior...
No dia em que eu virei um NET, eu não sabia que não teria tempo de ver metade do que gostaria de ver...
No dia em que eu virei um NET, eu não sabia que não me interessaria pela maior parte da programação...
No dia em que eu virei um NET, eu não sabia que o sinal ia cair e eu ficaria irritado ao telefone, esperando atendimento.
No dia em que eu virei um NET, eu não sabia que eles agendavam pra vir consertar ou instalar pontos... E que teria que esperar quase um mês, se não houvesse ninguém em casa na hora que eles podiam.

Mas eu vi filmes sem ter que pagar 18 reais no cinema, vi várias séries - antes de aprender a baixá-las, vi o cinema brasileiro de diversas épocas, vi programas de humor diferentes, vi o Pablo no Futura, o Ary na MTV, vi programas antigos no Viva.
No dia... No dia... Em que eu virei um NET.

Ainda vou colocar no balança o custo X benefício...
Vou pensar se valeu a pena acompanhar desde o início.
Se vou pagar menos ou mais pelo serviço da concorrência
Se continuo no telefone, trabalhando a paciência
Se uso só o computador para ver a programação
Ou se assumo que já passou da hora de fazer televisão.

No dia... No dia... Em que eu virei um NET.

OBS: Segue video encontrado no Youtube...
Muito bom. Mais criativo que o meu texto, sem dúvida.
(Pô, cara... Mas o meu foi só reflexão.)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Assim como eu...

Um dia, verei o sonho no palco?

Verei o imaginado na lata?

Verei o escrito em algum zapear?

Sigo no rumo das estrelas...

E o trajeto marcado em meu coração de papelão vai ficar.

Que o elo com outros sonhadores se faça presente, constante e realizador.

Que faça um futuro promissor...

Que anos coloridos mostrem que há luz para o lutador.

Luz que ilumine o caminho de todos que virão...

Para minha concubina, para filhos, netos e quem sabe um cão...

Que a festa se faça presente na vida de quem me cercar

Pois quem dança um conto, inventa o ponto aonde quer chegar.

-----------------------------------------------------------------------------------------

Que a esperança não dê importância aos tortuosos caminhos do destino.

Esse destino, que faz com que desistamos de sonhos e, como diria o Rico, de pessoas...

Rico (filosofa) – E por mais que peçamos por proximidade, chega esse sujeito chamado destino, esse sujeito que construímos e acaba nos comandando, e nos oferece um isolamento. Um isolamento disfarçado, cheio de pessoas... Todas passageiras. Laços cada vez mais fáceis de arrebentar. “A nossa solidão é a do planeta, é quase a mesma, eu sei. Atenda o telefone, ouça meu disco ou saia pra jantar, eu sei...”

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Doar ou não doar? Eis a questão...

2011 começou e eu realmente não tive tempo de escrever...
Ou paciência.
Ou assunto.

Hoje fui doar sangue e consegui uma folga no trabalho.
Tinha coisas pra fazer em casa, mas como me senti meio fraco, deixei rolar... E descansei.
Resolvi escrever sobre a doação. O maior assunto de 2011, até então.
Serei sincero... Apesar de toda vontade de ajudar, de me doar, nunca havia doado sangue.
Tentei uma outra vez, mas fui embarreirado na triagem por causa de uma gripe.
Depois disso, a mesma falta de tempo. E depois veio a Finasterida. E o tempo passou... E não doei.

Por outro lado, acho que sempre tive receio...
Medo do meu sangue não "ser bom". De ter algum problema, alguma restrição, alguma doença.
Já tive morte na família por problemas sanguíneos.
Sempre bateu a neura mesmo.

Hoje eu fui...
Depois de mais de um mês sem tomar o remédio, interrompendo o tratamento para a queda do cabelo, deixei meu sangue no saquinho. Tá lá! Com ou sem problemas, tá lá.

Achei, de início, que minha decisão estava sendo egoísta, já que não doei para as vítimas da chuva. Doei para minha avó, que passou por uma cirurgia essa semana.
Mas depois passei a considerar que o egoísmo não foi tão grande...
Além de vencer a neura, minha mãe havia dito que a doação não seria mais tão necessária, visto que minha avó não precisou tanto. Podia ter desistido... Aí sim bateu o lado 'bom pastor': "Não é porque ela não precisou que outros não vão precisar".

Tive uma discussão essa semana sobre o tema.
Passando por essa questão do 'egoísmo de cada um'...
E, em meio a brincadeiras, surgiu o "doar também não pode ser feito para aparecer".

Como estou sempre levantando a questão, soou como indireta.
E, passada a revolta, fiquei pensando sobre isso...
Será que o fato de querer acordar as pessoas pode realmente parecer isso?
Depois, veio a resposta de sempre... Dane-se (pra não dizer outra coisa).
Porque no fundo, se ficamos preocupados com a interpretação alheia, não fazemos nada.
E veio outra pergunta...
Será que quem estamos tentando convencer não vai passar a fazer para aparecer?
Voltou a resposta de sempre... Dane-se (pra não dizer outra coisa).
Porque cada um sabe de si... E os motivos de cada um não me dizem respeito. A consciência ou a falta dela não devem superar a importância do gesto.

Sei (ao menos, espero) que muitos questionamentos estão surgindo em todo o Brasil.
E como sempre surge algo bom de algo muito ruim, mesmo que não se justifique as mortes, pensemos na tragédia como um começo. Que o lado solidário de cada um não desapareça com a próxima manchete.

Deixo um exemplo de como ajudar: http://borogoblogs.blogspot.com/
E não deixo os locais de doações, porque estes são muitos e estão em todos os lugares.
Basta querer doar e procurar.