Textos pra fazer. Trabalho. Projetos.
E pouco tempo para expor o pessoal.
Um dia eu volto... Talvez. Quem sabe...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Medo de quem? (Ou desassalto)
Acabo de passar por uma situação que me deixou mais do que reflexivo...
Culpado, aliviado, esperançoso.
Não sei ao certo...
Estudo à noite perto da Candelária, no Centro do Rio.
A área não é lá muito segura...
Mas com a saída dos cursos, a gente consegue pegar ônibus na Av. Presidente Vargas sem tanto medo.
Hoje, mesmo com uma certa enxaqueca, deixei me levar e fui socializar com professor e outros alunos num bar da região...
A hora acabou avançando um pouco e, no momento de voltar pra casa, fui receoso para o ponto de ônibus.
Circulei o ponto deserto e fiquei meio agoniado com a espera.
Vale dizer - pra quem não é da cidade: as empresas de ônibus do Rio, além de cobrarem caro por um serviço mal feito, deixam o horário das 22 horas às 06 horas para os táxis. Transporte público depois das 23 horas, só à base de muita reza.
Eis que, no auge da apreensão, avisto um pré-adolescente magro, descabelado, descalço, com um aspecto realmente deplorável, vindo em minha direção...
- Um pivete... Fo-deu - pensei.
É claro que o medo é o pior inimigo da vítima e o garoto viu que eu era um alvo fácil. Veio ziguezagueando em minha direção (porque eu tentava me esconder por trás do ponto).
A abordagem foi direta. "- Fortalece aí..."
Eu fui dizendo que só tinha a passagem, que estava na minha mão... Que não teria dinheiro pra voltar pra casa. Ele insistiu. Levantou a camisa e mostrou algo, que não dava pra dizer o que era...
Eu entreguei o dinheiro, rabugentamente (até nessa hora, eu reclamei).
Comecei a andar na direção da Av. Rio Branco.
Um caminhão de lixo vinha na direção contrária e o motorista fez uma expressão de "não tive como fazer nada... mas que chato... Foi mal aí!".
Neste momento, dois moradores de rua vieram na minha direção.
Não sabia no que pensar: ajuda, fofoca ou mais violência?
Um dos moradores foi direto: Pode voltar tranquilo, que você vai pegar o ônibus aqui mesmo. A gente mora ali embaixo... Pode voltar!
As ordens continuavam suspeitas.
Fiquei sem saber o que fazer...
Um dos homens foi na direção do garoto, que continuava parado, enquanto o outro insistia para que eu voltasse.
Parei. Ouvi mais pedidos. Comecei a voltar...
Nesse momento, meu ônibus passou.
Aliviado, eu já pensava que, se eles eram mesmo uma ajuda, mereciam ficar com aquele dinheiro... Subi no ônibus, agradecendo de longe ao homem que veio a minha direção.
Antes do ônibus partir, o outro homem - que havia seguido na direção do garoto - veio rápido, pedindo pro motorista não fechar a porta... Vinha com o meu dinheiro na mão. Eu ainda mandei um "deixa pra lá", mas ele insistiu para que eu pegasse o dinheiro de volta.
O cobrador do ônibus ainda me perguntou o que acontecera e eu, rapidamente, expliquei. Ele, assim como eu, não acreditou.
No fim, não perdi nada.
E ganhei a certeza de que nem tudo está perdido.
É claro que aqueles homens querem manter a segurança do local pra terem o direito de continuar ali... E de não serem confundidos com bandidos.
Mas a honestidade do ato foi tocante.
Primeiro, porque fez lembrar que a garantia de segurança não vem mais do Estado.
Segundo, porque fez novamente escancarar o quanto é pequeno o rico que rouba.
Terceiro, reafirmou a máxima do "um livro não se julga pela capa".
Fiquei com vontade de fazer mais por essas pessoas...
Mostrar que elas podem ser mais.
Que elas também podem ser exemplo.
E dar o que elas realmente precisam.
Não a comida e o cobertor.
Não R$ 2,50.
Não o peixe...
Mas o como pescar.
Parece lugar comum, mas hoje vi, mais uma vez, que não é.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
A Rádio Atividade leva até vocês...

Tenho mania de jogar vídeos no Facebook.
Muitos são de música...
Músicas que estou ouvindo, que refletem o momento da vida, que lembram alguém ou simplesmente alguma que quero comentar...
Na maioria das vezes, independente da motivação pessoal, o intuito é também dividí-las.
Encontrei hoje um link que mostra todos os links, seja do blog, de sites, de fotos ou de vídeos.
Resolvi fazer uma lista apenas com as músicas publicadas... Pra tentar ver o todo.
Eis abaixo as músicas que já passaram por lá...
Tem pra todos os gostos.
A Rádio Atividade já trouxe até vocês:
Alice Cooper - No More Mr. Nice Guy
Daddy Yankee - Llamado de emergência
AC/DC - It's a Long Way To The Top (If You Wanna Rock N' Roll)
Ângela Rorô – Compasso
Mauricio Baia – Lembrei
Anne Duá – Indecente
Premeditando o breque - Balão Trágico
Ramones - Rock and Roll Radio
Michael Jackson - Man In The Mirror
Roger Ridley (Playing For Change ) - Bring It On Home
Etta James - I'd Rather Go Blind
A Banda Mais Bonita da Cidade (ao vivo) - A Balada da Contramão
Song Around the World | Playing For Change - One Love
Paralamas do Sucesso (Rock In Rio I) - Inútil
Jorge Benjor e Caetano Veloso - Ive Brussel
Trio Irakitan e Eliana – Hino ao músico
Oswaldo Montenegro - Celeiro (edição amadora)
Paul McCartney (Rio de Janeiro 2011) - Hey Jude
A banda mais bonita da cidade – Oração
Smashing Pumpkins - Bullet with Butterfly wings
Grande Otelo (A Arca de Noé 2) – O Porquinho
Paul Mccartney & Wings – Jet
Elis-Regina - Redescobrir
Boca Livre - Quem tem a viola
Leo Jaime e João Penca e Os Miquinhos Amestrados - Conquistador Barato
Sharon Jones & the Dap-Kings - I Learned the Hard Way
O Espírito da Coisa – Teresa
Araketu - Símbolo do Coração
Across The Universe: Bono - I Am The Walrus
LevaNóiz - Liga da Justiça
Estereograve - Tudo Vai Passar
Titãs (no Globo de Ouro, 1988) - Go Back
Blood Sweat & Tears - Spinning Wheel
Chimarruts - Não deixe de sonhar
Alessandra Maestrini (Utopia) - "O que será"(em inglês)
Sandra de Sá (no Cassino do Chacrinha - 1988) – Não vá
Frejat (Tributo a Simonal) - Vesti azul
Alexandre CROF - No seu olhar
Gaza - Assim Como Eu
Jota Quest - Do seu lado
The Killers - Somebody Told Me
John Lennon - Happy Christmas (War Is Over)
Julian Casablancas – 11th Dimension
Duffy - First Cut Is The Deepest
Os Abelhudos (DVD Festa Ploc) - O Dono da Terra
Banda Vexame – Siga seu rumo
Cee Lo Green – Fuck you
Elenco de Almost Famous - Tiny Dancer
Eurotrip: lustra - Scotty doesn't know
Casaca - Anjo Samile
Dobie Gray - Drift away
Os Trapalhões e Lucinha Lins - Todo mundo deve ser mais criança
As Chicas (no Canecão)- Baião de rua / Menina amanhã de manhã
Peça - Vale Encantado 2007 - Lobo Mau
Razão Brasileira – Naturalmente
Twisted Sister - I Wanna Rock
The Beatles - All You Need Is Love
Kenny Lattimore And Chante Moore - Tonight (2 Step)
Marina de la Riva e Orquestra Imperial - Cachito
Across the Universe: Dana Fuchs - Don't let me down
Em breve, mais músicas...
Porque é ela que alimenta o sangue rabugento.
Se alguém quiser sugerir, estamos abertos a avaliação!
Fiquem ligados!
OBS: Postando abaixo um dos vídeos, que na verdade é uma versão de música conhecida em uma peça.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Politicamente correto...
A questão de ordem é o politicamente correto.
Seios e nus na TV aberta não são mais tão aceitos... (Aparece, mas com ressalvas).
Crianças não cantam mais o atirei o pau no gato, porque é incitação à violência.
E o que mais se questiona com todos os casos analisados nos dias de hoje é se isso tudo é realmente necessário.
Eu digo...
Não sou violento, não cometo crimes...
Nunca matei um gato, um cachorro ou outro animal maior. Ao menos, não diretamente. (vacas, porcos, galinhas e peixes morrem por minha causa - mas essa consideração eu só coloco para agradar e evitar mais comentários dos vegans e vegetarianos de "plantão").
Animais menores, alguns. Mas não os mato se não for por necessidade. Se uma formiga não estiver em cima da minha comida, se um mosquito não estiver me mordendo, se uma barata não estiver entocada e não insistir em me perseguir, não tenho porquê matá-los... E não o faço.
Não sou adepto da caça.
Não sou adepto da violência doméstica.
Não sou de brigar...
Não sou pervertido.
(Não aparentemente...)
Enfim...
Passei por uma infância repleta de imagens sexualizadas e menções à violência e à crueldade humana, mas nem por isso fiquei traumatizado ou fui influenciado.
E sei que a maioria das pessoas da geração também não.
Se há perversão e agressividade excessiva em parte dessa geração, a culpa não está nas músicas, nas histórias infantis, nos programas de TV, nos livros, nos quadrinhos ou nos filmes.
Não estou aqui levantando bandeira para uma liberação geral, para o bundalelê.
Acredito que cada pai tem o direito de criar o seu filho como quiser...
Só não sou adepto da proteção excessiva e da alienação.
A vida está aí...
E se essas crianças não conhecem as coisas da vida com naturalidade, o problema pode ser maior ali na frente.
E mais...
Se essas crianças não aprendem com naturalidade dentro de casa, vão naturalmente aprender fora dela... Sabe-se lá como.
Em todo caso, nada do que eu digo é novo também.
Esse texto todo é para postar duas músicas do passado.
Duas músicas que seriam proibidas nos dias de hoje...
Duas pérolas que foram feitas na época certa, caso contrário não teriam direito de existir.
A primeira, eu nem sei como foi liberada.
Mesmo nos anos 80.
Como a violência era muito explícita em "O cravo brigou com a rosa..." (para as feministas, a música diz que ela ficou despedaçada, mas pelo sentido, a violência física mesmo foi contra ele) Martinho da Vila deu o seu tom de malandro de Vila Isabel a uma versão bem original.
Foi de um extremo ao outro. Pra quê brigar, cravo e rosa?
O engraçado é que, depois dos versos da cantiga popular, ele fala exatamente do lado lúdico da infância.
A música fez parte do disco do "Clube da Criança", que trazia uma foto da Xuxa com um short bem curto.
A segunda, eu já coloquei no Facebook com comentários afins.
Trata-se de Vinícius de Moraes para crianças.
Essa é especial para os vegetarianos e vegans.
Se fosse hoje, a música deveria falar do colesterol, da pressão, da gordura...
E viria com alertas importantes que diriam... Não mate o porquinho, ele é nosso amigo e já sofre que é uma beleza. Lembre-se do rostinho do Babe antes de comer uma pizza de calabresa.
OBS: Com a tia Vaca do lado, vestido de anjinho pro céu voarei... Isso é sensacional.
Seios e nus na TV aberta não são mais tão aceitos... (Aparece, mas com ressalvas).
Crianças não cantam mais o atirei o pau no gato, porque é incitação à violência.
E o que mais se questiona com todos os casos analisados nos dias de hoje é se isso tudo é realmente necessário.
Eu digo...
Não sou violento, não cometo crimes...
Nunca matei um gato, um cachorro ou outro animal maior. Ao menos, não diretamente. (vacas, porcos, galinhas e peixes morrem por minha causa - mas essa consideração eu só coloco para agradar e evitar mais comentários dos vegans e vegetarianos de "plantão").
Animais menores, alguns. Mas não os mato se não for por necessidade. Se uma formiga não estiver em cima da minha comida, se um mosquito não estiver me mordendo, se uma barata não estiver entocada e não insistir em me perseguir, não tenho porquê matá-los... E não o faço.
Não sou adepto da caça.
Não sou adepto da violência doméstica.
Não sou de brigar...
Não sou pervertido.
(Não aparentemente...)
Enfim...
Passei por uma infância repleta de imagens sexualizadas e menções à violência e à crueldade humana, mas nem por isso fiquei traumatizado ou fui influenciado.
E sei que a maioria das pessoas da geração também não.
Se há perversão e agressividade excessiva em parte dessa geração, a culpa não está nas músicas, nas histórias infantis, nos programas de TV, nos livros, nos quadrinhos ou nos filmes.
Não estou aqui levantando bandeira para uma liberação geral, para o bundalelê.
Acredito que cada pai tem o direito de criar o seu filho como quiser...
Só não sou adepto da proteção excessiva e da alienação.
A vida está aí...
E se essas crianças não conhecem as coisas da vida com naturalidade, o problema pode ser maior ali na frente.
E mais...
Se essas crianças não aprendem com naturalidade dentro de casa, vão naturalmente aprender fora dela... Sabe-se lá como.
Em todo caso, nada do que eu digo é novo também.
Esse texto todo é para postar duas músicas do passado.
Duas músicas que seriam proibidas nos dias de hoje...
Duas pérolas que foram feitas na época certa, caso contrário não teriam direito de existir.
A primeira, eu nem sei como foi liberada.
Mesmo nos anos 80.
Como a violência era muito explícita em "O cravo brigou com a rosa..." (para as feministas, a música diz que ela ficou despedaçada, mas pelo sentido, a violência física mesmo foi contra ele) Martinho da Vila deu o seu tom de malandro de Vila Isabel a uma versão bem original.
Foi de um extremo ao outro. Pra quê brigar, cravo e rosa?
O engraçado é que, depois dos versos da cantiga popular, ele fala exatamente do lado lúdico da infância.
A música fez parte do disco do "Clube da Criança", que trazia uma foto da Xuxa com um short bem curto.
A segunda, eu já coloquei no Facebook com comentários afins.
Trata-se de Vinícius de Moraes para crianças.
Essa é especial para os vegetarianos e vegans.
Se fosse hoje, a música deveria falar do colesterol, da pressão, da gordura...
E viria com alertas importantes que diriam... Não mate o porquinho, ele é nosso amigo e já sofre que é uma beleza. Lembre-se do rostinho do Babe antes de comer uma pizza de calabresa.
OBS: Com a tia Vaca do lado, vestido de anjinho pro céu voarei... Isso é sensacional.
sábado, 25 de junho de 2011
Japinha virtual...
Um grupinho teen do Japão chamou atenção em um comercial porque uma das integrantes era, na verdade, um mix das feições de todas as outras integrantes... Logo, não existia.
Foi meio decepcionante para os japoneses que foram arrebatados pela candura da menina.
Cá pra nós - não querendo parecer pedófilo nem nada - mas as outra meninas, individualmente, também são bonitinhas.
Nem precisava de tanta decepção...
OBS: A menina virtual tem um lado do rosto diferente do outro... Nem é tão legal assim.
Têm coisas que só os japoneses fazem.
E só os japoneses pra ainda se decepcionarem com a criação dos próprios japoneses.
(A música fica na cabeça também... embora não façamos ideia do que seja dito).
Foi meio decepcionante para os japoneses que foram arrebatados pela candura da menina.
Cá pra nós - não querendo parecer pedófilo nem nada - mas as outra meninas, individualmente, também são bonitinhas.
Nem precisava de tanta decepção...
OBS: A menina virtual tem um lado do rosto diferente do outro... Nem é tão legal assim.
Têm coisas que só os japoneses fazem.
E só os japoneses pra ainda se decepcionarem com a criação dos próprios japoneses.
(A música fica na cabeça também... embora não façamos ideia do que seja dito).
terça-feira, 21 de junho de 2011
Não deixe de sonhar
Mais uma do rabugento otimista.
Essa música sintetiza bem o clima de tudo que tá rolando...
E digo "tá rolando" porque esse é o tom da música.
Uma vibe. Um jammin´.
Sim... É o reggae "comercial" do Chimarruts.
Em uma música simples.
Mas se é na simplicidade que ela já diz tudo, é ela que tem que rolar...
E se alguém te encontrar e perguntar por mim...
Essa música sintetiza bem o clima de tudo que tá rolando...
E digo "tá rolando" porque esse é o tom da música.
Uma vibe. Um jammin´.
Sim... É o reggae "comercial" do Chimarruts.
Em uma música simples.
Mas se é na simplicidade que ela já diz tudo, é ela que tem que rolar...
E se alguém te encontrar e perguntar por mim...
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Ar Mar Ação...
Bafos, cascatas e armações!
A voz de Nara Gil surgia do aparelho de TV e as noites de sexta-feira melhoravam...
Uma ou duas vezes por mês, a imaginação corria solta na cabeça do menino de classe média, que saía pela janela do prédio em Botafogo e mergulhava sem paraquedas.
De asa-delta, a plainar...
Lembro da noite em que vi a primeira aventura da turma da Armação Ilimitada.
Esse piloto... Em episódio especial da Sexta Super.
Como parte da geração oitentista, vivenciei cada momento de cada episódio posterior...
Cada investida e ideia genial (de olho na gata e na grana) do malandro Lula.
Cada cantada, meditação e golpe de caratê do inconstante Juba.
Cada citação, reportagem e encrenca da multifacetada Zelda Scotti.
Cada descoberta, piada e paquera do pequeno (pra eles) Bacana.
Cada sanduíche, loucura e conselho da loba Ronalda Cristina.
Cada participação e transformação "chocante" do Chefe.
E cada narração e música apresentada pelo(a) Black Boy.
Na época, como já tínhamos um vídeo cassete, gravava os episódios e revia dezenas de vezes, com ou sem a minha irmã.
Como as fitas eram poucas, a gente acabava desgravando com o tempo...
E fui perdendo-os aos poucos.
Após a exibição normal da série, lembro que houve mais duas reprises...
Uma na própria Rede Globo, nos domingo de manhã. Na década de 90.
Depois, na década passada, no Multishow.
Há uns dois anos, eu comprei o box com DVDs.
Embora alguns episódios que foram marcantes estivessem na caixa, nem todos estavam lá... Mas revi apenas esses dez episódios, escolhidos pelo diretor Guel Arraes, com a memória trabalhando pra reviver os demais.

Só agora, que a série começou a ser reprisada no Canal Viva, resolvi correr atrás de torrents da série. Consegui baixar todos os episódios exibidos no Multishow (que não exibiu apenas o último ano da série) e rever muitos dos que lembrava.
Todos sabem...
A Armação era uma série com uma nova linguagem, um novo formato.
Uma proposta jovem... Não apenas em tema, mas em essência.
E que acabou se moldando com o tempo para o público que mais comprou a fórmula: as crianças.
Mas embora muitas mensagens fossem realmente para esse público, hoje vejo como muita informação não era compreendida. Metáforas, paródias ou simples deboches e citações, que iam muito além do que a infância podia alcançar.
Muitas vezes os autores faziam apenas a piada pela piada.
Mas se pensarmos num Brasil em plena abertura política, pré-Constituinte, recém-saído de uma ditadura e de uma censura ferrenha, não é de se estranhar que a liberdade de criação fosse estimulada.
Muito mais do que hoje em dia...
O que nos faz pensar...
Hoje, se houvesse a proposta de uma série em que uma jovem jornalista namorasse com dois surfistas ao mesmo tempo e que tudo fosse vivido sob o olhar de um menino de rua, adotado pelo grupo, certamente o juizado de menores cairia em cima. E, se houvesse série, tudo seria exibido depois das 23 horas, horário mais indicado para fugir da audiência infantil. Sem a força das crianças, a série não passaria do primeiro ano.
Não sei...
Muita coisa melhorou, é claro.
Muitas ferramentas e meios ajudam hoje o nosso cotidiano.
Mas vivemos distantes dos outros e da vida.
Vivemos um moralismo involuído.
Uma excesso de tato e, ao mesmo tempo, uma falta de aproximação.
Essas tramas encontradas não me levaram ao saudosismo, porque isso já nem me toca tanto. Esses episódios escondidos levaram-me à constatação de que muito daquela ideologia (que ali era meramente ficcional, mas que espelhava algo real e maior) se perdeu.
Não era inocência, pelo contrário.
Era sim uma permissividade... Mas uma permissividade sadia, repleta de simplicidade, que não combatia moral nem acreditava viver sem ela (as mensagens com fundo moral estavam lá, escancaradas e auto-ironizadas), mas que fazia questão de lembrar aos jovens e pequenos da importância de se viver com liberdade. Liberdade que começava a ser reconquistada e valorizada.
Liberdade de expressão, de criação, de opinião e, principalmente, de ir e vir...
De decidir o que se quer pra si.
De seguir ou não o padrão, o sistema e a convenção.
Tudo voltado para um mundo mais saudável, mais preservado, mais imaginativo, mais lúdico e essencialmente mais feliz.
A vida plena, como uma história ("...que poderia acontecer a qualquer um de vocês...") repleta de possibilidades, com armações e alegrias ilimitadas.
Enquanto o mundo rola, enquanto rola o som...
A voz de Nara Gil surgia do aparelho de TV e as noites de sexta-feira melhoravam...
Uma ou duas vezes por mês, a imaginação corria solta na cabeça do menino de classe média, que saía pela janela do prédio em Botafogo e mergulhava sem paraquedas.
De asa-delta, a plainar...
Lembro da noite em que vi a primeira aventura da turma da Armação Ilimitada.
Esse piloto... Em episódio especial da Sexta Super.
Como parte da geração oitentista, vivenciei cada momento de cada episódio posterior...
Cada investida e ideia genial (de olho na gata e na grana) do malandro Lula.
Cada cantada, meditação e golpe de caratê do inconstante Juba.
Cada citação, reportagem e encrenca da multifacetada Zelda Scotti.
Cada descoberta, piada e paquera do pequeno (pra eles) Bacana.
Cada sanduíche, loucura e conselho da loba Ronalda Cristina.
Cada participação e transformação "chocante" do Chefe.
E cada narração e música apresentada pelo(a) Black Boy.
Na época, como já tínhamos um vídeo cassete, gravava os episódios e revia dezenas de vezes, com ou sem a minha irmã.
Como as fitas eram poucas, a gente acabava desgravando com o tempo...
E fui perdendo-os aos poucos.
Após a exibição normal da série, lembro que houve mais duas reprises...
Uma na própria Rede Globo, nos domingo de manhã. Na década de 90.
Depois, na década passada, no Multishow.
Há uns dois anos, eu comprei o box com DVDs.
Embora alguns episódios que foram marcantes estivessem na caixa, nem todos estavam lá... Mas revi apenas esses dez episódios, escolhidos pelo diretor Guel Arraes, com a memória trabalhando pra reviver os demais.

Só agora, que a série começou a ser reprisada no Canal Viva, resolvi correr atrás de torrents da série. Consegui baixar todos os episódios exibidos no Multishow (que não exibiu apenas o último ano da série) e rever muitos dos que lembrava.
Todos sabem...
A Armação era uma série com uma nova linguagem, um novo formato.
Uma proposta jovem... Não apenas em tema, mas em essência.
E que acabou se moldando com o tempo para o público que mais comprou a fórmula: as crianças.
Mas embora muitas mensagens fossem realmente para esse público, hoje vejo como muita informação não era compreendida. Metáforas, paródias ou simples deboches e citações, que iam muito além do que a infância podia alcançar.
Muitas vezes os autores faziam apenas a piada pela piada.
Mas se pensarmos num Brasil em plena abertura política, pré-Constituinte, recém-saído de uma ditadura e de uma censura ferrenha, não é de se estranhar que a liberdade de criação fosse estimulada.
Muito mais do que hoje em dia...
O que nos faz pensar...
Hoje, se houvesse a proposta de uma série em que uma jovem jornalista namorasse com dois surfistas ao mesmo tempo e que tudo fosse vivido sob o olhar de um menino de rua, adotado pelo grupo, certamente o juizado de menores cairia em cima. E, se houvesse série, tudo seria exibido depois das 23 horas, horário mais indicado para fugir da audiência infantil. Sem a força das crianças, a série não passaria do primeiro ano.
Não sei...
Muita coisa melhorou, é claro.
Muitas ferramentas e meios ajudam hoje o nosso cotidiano.
Mas vivemos distantes dos outros e da vida.
Vivemos um moralismo involuído.
Uma excesso de tato e, ao mesmo tempo, uma falta de aproximação.
Essas tramas encontradas não me levaram ao saudosismo, porque isso já nem me toca tanto. Esses episódios escondidos levaram-me à constatação de que muito daquela ideologia (que ali era meramente ficcional, mas que espelhava algo real e maior) se perdeu.
Não era inocência, pelo contrário.
Era sim uma permissividade... Mas uma permissividade sadia, repleta de simplicidade, que não combatia moral nem acreditava viver sem ela (as mensagens com fundo moral estavam lá, escancaradas e auto-ironizadas), mas que fazia questão de lembrar aos jovens e pequenos da importância de se viver com liberdade. Liberdade que começava a ser reconquistada e valorizada.
Liberdade de expressão, de criação, de opinião e, principalmente, de ir e vir...
De decidir o que se quer pra si.
De seguir ou não o padrão, o sistema e a convenção.
Tudo voltado para um mundo mais saudável, mais preservado, mais imaginativo, mais lúdico e essencialmente mais feliz.
A vida plena, como uma história ("...que poderia acontecer a qualquer um de vocês...") repleta de possibilidades, com armações e alegrias ilimitadas.
Enquanto o mundo rola, enquanto rola o som...
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