segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Blog e a curiosidade sobre a vida alheia

Sempre que escreve em seu blog, uma amiga minha pede no Facebook para que os seguidores leiam e comentem.
Eu não tenho o hábito de pedir comentários, mas também divulgo o meu blog por lá...
E, no fundo, fico na expectativa para que os textos gerem algum tipo de repercussão.

Poucos são os que usam a ferramenta apenas como diário...
Todo mundo que tem blog, divulga, porque quer ser lido.
Não é para isso que serve? Para colocar e dividir pensamentos?
Blog não é diário... Diário é pessoal. Não pede para ser publicado.
Quem quer fazer diário, escreve pra si. Escreve no Word... Escreve no papel.
Quem diz que usa blog para si é porque, no fundo, quer que alguém um dia leia (muitas vezes, alguém bem específico) ou porque gosta de correr riscos...
Afinal, por mais que não seja divulgado, está exposto.

Mas, se pensarmos bem, é loucura a criação de um blog.
A concepção de um canal apenas com pensamentos seus... Ou um canal de assunto de interesse seu em que você resolve ser o jornalista e divulgar ou criticar... Ou um canal de exposição sobre sua obra ou seu cotidiano... Ou tudo isso em um só canal.
Um canal que, no fundo, traz o ego do criador. Um é criado para massagear o outro.

Calma, calma...
Não quero desmerecer nenhum blog conhecido ou desconhecido.
Nem a intenção das pessoas por trás deles...
Alguns estão desabafando, usando o canal como divã. Outros querem escrever porque são escritores em potencial ou jornalistas formados e querem desenvolver o talento, talvez por falta de oportunidade (de atuar na área ou de escrever sobre o que gosta). Outros estão desenvolvendo um canal sobre aquilo com que querem trabalhar.
E a maioria ficaria feliz se o blog virasse um negócio, se rendesse dinheiro.

Não desmereço a intenção de ninguém.
Acho interessante ler e me inteirar da vida das pessoas pelos blogs.
Ou ler poesia, textos emotivos, contos, me informar com a crítica de um amigo, ver o que as pessoas têm aprontado... E, de alguma forma, me sentir mais próximo das pessoas que escrevem.

Mas aí chegamos em outro ponto: a velha curiosidade sobre a vida alheia.
Vivemos uma época de exposição e observação. Todos querem vasculhar... E por mais que queiramos nossa privacidade, sabemos que, para chegar a algum lugar, mesmo que apenas à evolução pessoal, precisamos expor... Colocar pra fora vida, trabalho, inspiração ou opinião.
Nem que seja um pouco...

Claro, existem os que não têm blog... Que dizem que não têm nada para expor. Ou aqueles que afirmam não ter a necessidade de se expor... Que não deixam se levar por essa mania moderna de espetacularizar o indivíduo. Essa vontade doida de querer aparecer... E geralmente falam isso com um orgulho narcísico, um ar de superioridade, querendo mostrar que são melhores, mas, por isso mesmo, mostrando que não são.
E esses, no fundo, não têm blog por preguiça mesmo.

O que podemos concluir?
O blog é nocivo pois instiga a necessidade agressiva de escancarar a vida das pessoas? Pois estimula o voyeurismo sem medida e a cultura do espetáculo, além de colaborar para a dependência virtual?
O blog é benéfico porque democratiza a escrita, publicando opinião e textos sem depender de editor ou meio de comunicação? Porque expõe e desenvolve talentos, além entreter?

Nem totalmente 8, nem simplesmente 80.
A ferramenta não é essencialmente ruim ou boa.
Depende apenas do uso que cada um faz dela.

E cabe dizer: escrevi esse post porque não tinha o que escrever.
Foi feito apenas para movimentar o blog.
Agora, vou divulgá-lo no Facebook.
Porque, mesmo que não vire um negócio, eu quero que seja lido.
Vou e volto daqui a uns dias para expor um pouco mais.
Até lá, estarei seguindo os blogs amigos.
Quem quiser, me encontra por lá...

OBS: Vale dizer... O Na Veia, embora seja blogspot, é de um programa de rádio independente. Vai um pouco além do blog.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Era um vez...

... um autor de novelas chamado Sílvio de Abreu.
O cara escrevia cenas engraçadas, histórias que prendiam o público.
Guerra dos Sexos, Cambalacho, Sassaricando, Rainha da Sucata, A próxima vítima etc.

A internet afastou o público de novelas. Hoje, só vê quem realmente gosta. Isso é certo...
Sinal dos tempos?

Sim, eu assumo. Eu vi algumas novelas... O folhetim faz parte da vida do brasileiro. E quem nunca tiver assistido, nunca tiver gostado de uma história, que atire a primeira pedra.
Mas há alguns anos eu deixei de acompanhar novelas. Não tenho tempo... E mesmo que tivesse, provavelmente não veria. (Talvez Tititi, que é mais nostálgica e me parece mais bem escrita... Mesmo assim, longe de "acompanhar" a novela).

O fato é que basta assistir uma cena ou outra das novelas de hoje para ver que a coisa está diferente.

Navegando pelo Youtube, alguns links para vídeos da Marisa Orth foram oferecidos. Entrei em um e encontrei as cenas a seguir. Foi este vídeo que me fez refletir sobre tudo isso...

Uma série de cenas simples, leves e que movimentam a trama. Divertem, aliviam a tensão da história principal... Mostram que Antônio Fagundes era aproveitado mesmo em papel secundário (hoje o cara pena com uns protagonistas fracos), a estreia sensacional de Marisa Orth, Claudia Raia em um dos primeiros destaques depois da Tancinha e o geração 80 André Filippe, hoje André Mauro.

Vale a pena ver de novo:


Para quem quiser mais, procure pela Nicinha. Têm cenas hilárias com o Flávio Migliaccio (Como é duro ter uma filha biscate!) e dela cantando...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

De novo, a política...


Não, não quero mais polemizar. Embora pareça...
Nem quero fazer propaganda de partido ou candidato.
A campanha no rádio e na TV está começando hoje, mas já estou acompanhando essas eleições há tanto tempo que já estou cansado.

Só venho colocar uma dúvida...
Será que os opositores de Dilma Rousseff acham mesmo que vão conseguir convencer os indecisos e os seguidores da candidata do PT com e-mails e mensagens difamatórias?

Não sou eleitor de Dilma e não digo isso em defesa direta dela... Digo isso como cidadão contemporâneo. Como brasileiro e incluído virtual. Diariamente recebo e-mails e notícias em redes sociais apontando o dedo e fazendo terror. São relatórios de vida pregressa da guerrilheira política ou pedidos encarecidos, apontando o fim do mundo caso ela seja eleita.

Não sei quanto ao resto do Brasil, mas estou bem cansado disso.
Seja para Dilma, seja para Serra, seja para Marina ou mesmo para Plínio (sim, depois do primeiro debate, ele entrou verdadeiramente na corrida).

Esse tipo de marketing é fraco e não funciona mais.
O mínimo que se pensa é: não tem argumento e partiu pro ataque.

Não vou entrar no mérito da qualidade dos candidatos ou possíveis futuros presidentes. A vivência de Dilma como braço direito do atual presidente. A maior experiência política de Serra e Marina. A experiência de vida de Plínio (ehehe). Todos são anjos e demônios. Cada qual com seu plano de governo, usando de discursos distintos - uns batidos, outros rebatidos... Nós já vimos este filme. Assim como já deveríamos estar cansados de saber que sempre haverá buracos e o que atacar em cada um... Nenhum deles saiu do forno perfeito, pronto para governar o Brasil.

Nestas eleições, estou mais tranquilo...
Cada partido fez a sua escolha e, dentro delas, também estou fazendo a minha.
E quem quiser que faça a sua.
Espero que de forma refletida, consciente, acompanhando a campanha, por mais triste que se torne. Mas não estou mais interessado em fazer a cabeça de ninguém.

Não estou propondo que os outros façam o mesmo...
Escolheu a Dilma, divulgue o programa dela.
Preferiu o Serra, mostre as propostas dele.
Gostou mais da Marina, repasse o conceito da campanha.
Achou o Plínio o melhor, ria das piadas e descubra o que está além...
E os outros candidatos? Nós conhecemos?... Ou realmente não têm vez?
Nenhum presta e não merece voto? Se a escolha é consciente, anule.
Só não quero mais ver alarde e histórias de lobo mau.

Já passou da hora do processo político e dos eleitores amadurecerem no Brasil.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Doe Palavras II


Baseado no projeto acima, trago mais doações de palavras!
Obrigado a todos que mandaram!


"Escreveu Gonzaguinha, "Felicidade, eu quero andar na vida namorando você". Sua filha Amora, porém, certa vez declamou Pedro Rocha: "o melhor do namoro é quando ele acaba" e, seguidamente cantou o pai, "meu amor, eu quero é namorar, a vida é linda!". Não acho que estejam errados ou tão pouco contraditórios.

A felicidade é muito mais um estado (de espírito ou não) do que uma característica permanente. A maior parte da humanidade está ou esteve feliz e não o é.

Portanto, nosso namoro com estimado sentimento é uma sucessão de idas e vindas, e, em seu término, encontramos o ápice consistido em reconhecer que havíamos sido, de fato, felizes. Diante disso, o que mais queremos é namorar novamente, para que estejamos felizes de novo, e que em eu término enfim fiquemos com o seu melhor: a lembrança e a preparação para que estejamos novamente."
(Ensaiando o Ensaio da Felicidade - Laura I. Salerno)

"A sorrir eu pretendo levar a vida
Pois chorando eu vi a mocidade perdida
Finda a tempestade o sol nascerá
Finda essa saudade, hei de ter outro alguém para amar"
(O Sol Nascerá - Cartola)

Doações de L.I.S.



"As palavras afetam a atitude, e a atitude afeta o desempenho. Portanto, certifique-se de que suas palavras são positivas, porque o que entra influencia a perspectiva, a perspectiva influencia o que sai e o que sai determina o resultado."

(Autor não mencionado)
Doação de Tatiana Almeida



"Quando ouvi o sábio astrônomo;
Quando demonstrações e números, em colunas, me foram apresentados;
Quando me mostraram gráficos e diagramas para que os somasse, dividisse e medisse.
Quando, eu sentado, ouvi o astrônomo, na sala de palestras onde falava com muito apaluso,
Tão cedo, inexplicavelmente, fiquei enjoado e cansado
Até me levantar e sair dali.
Eu vaguei sozinho,
No ar místico e úmido da noite e, de vez em quando,
Olhava para cima em completo silêncio,
para as estrelas.

(Quando ouvi o sábio astrônomo - Walt Whitman)
Doação de Eduardo Naddar



"No fim tudo dá certo. Se não deu certo ainda é porque ainda não chegou o
fim."

"Saudade é o amor que fica."

(Domínio público)
Doação de Marcelo Muniz


"Metade de mim
Agora é assim
de um lado a poesia, o verbo, a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim

E o fim é belo, incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar."

(O anjo mais velho - Fernando Anitelli)
Doação de Renata Maior



" Não há melhor lugar para se morar do que na alegria!"
(Retirada da peça “O que eu gostaria de dizer”, da Companhia Brasileira de Teatro e baseada na obra de Gonçalo M. Tavares)
Doação de Anna Cecilia Fontoura



"Heard a man on the radio today,
Must confess I disagreed with what he had to say.
How can he not believe that God is real,
I don't understand how he could feel that way. When
There's earth air water and fire.
So many different flowers, sunshine and rainshower,
So many differnt crystals and hills and volcanos.
That's how I know that God is real
(all of this is not by chance)

In Saint Lucia, I jumped in the water.
For the first time I understood its power.
As I swam, I was cleansed.
If I had any doubts, this experience cleared them.
Now I know for sure that God is real.
I know that it's the truth by the way it feels
Cause I saw starfish and sponges,
Fish and black trumpets,
So many different colors I stayed
Out there for hours and I only saw a fraction of a fraction,
Of the deep of the deep,
Of the great blue wide.
It Brought a tear to my eye.

We're made of the same stuff as the moon and stars.
The ocean's salt water just like my tears are.
You feel me the sun rises and sets everyday without fail

That's how I know that God is real
(all of this is not by chance),

Earth, air, water, and fire
That's how i know that God is real"

(God is real - India.Arie)

"Uma pirueta
Duas piruetas
Bravo, bravo
Superpiruetas
Ultrapiruetas
Bravo, bravo
Salta sobre
A arquibancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis

Quatro cambalhotas
Cinco cambalhotas
Bravo, bravo
Arquicambalhotas
Hipercambalhotas
Bravo, bravo
Rompe a lona
Beija as nuvens
Tomba de nariz
Que os jovens
Vão pedir bis

No intervalo
Tem cheirim de macarrão
E a barriga ronca
Mais do que um trovão
Quero um prato
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço
Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo não
Pode parar

Vinte piruetas
Trinta piruetas
Bravo, bravo
Polipiruetas
Maxipiruetas
Bravo, bravo
Sobe ao céu
Fura a calota
E tomba de bumbum
Que a patota
Grita mais um
Que a patota
Grita mais um

Dez mil cambalhotas
Cem mil cambalhotas
Bravo, bravo
Maxicambalhotas
Extracambalhotas
Bravo, bravo
Salta além
Da extratosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir
Que a galera
Morre de rir

Ai, minhas costelas
Já tô vendo estrelas
Bravo, bravo
Ai, minha cachola
Não tô bom da bola
Bravo, bravo
Lona... nuvens
Tomba no hospital
Uma pirueta
Uma cabriola
Uma cambalhota
Não tô bom da bola
E o pessoal
Delira...
Maxipirulito...
Ultravioleta...
Bravo, bravo"

(Piruetas - Chico Buarque)

Doações de Simone Vieira

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Doe Palavras I

Tudo começou com um e-mail.
Ele divulgava o site Doe Palavras.
Um site onde você pode doar palavras para pessoas doentes em um hospital.
Palavras de incentivo, de amor, de melhoras: www.doepalavras.com.br


Resolvi fazer o pedido a alguns amigos.
Pedi palavras... Para mim.
Palavras que fossem deles ou de outras pessoas.
Aquelas frases/letras de música/ poemas/textos que marcam a gente de alguma forma.
Algo que marcasse a vida deles, mas que pudesse postar aqui.

Trago aqui algumas dessas palavras.
Peço aos poucos leitores e amigos que ainda não mandaram, que deixem ou me mandem por e-mail a sua doação!

"I Cant control
My destiny
I Trust My Soul
My only goal
is just to be

There' only Now
There's Only Here
Give in To Love
Or live in Fear
No Other Path
No Other Way
No Day But Today"

(Another Day - Jonathan D. Larson)
Doação de Daniela Braga



"É simples a beleza da vida
É a luz que surge atrás do mar
Acompanhada de um canto de um pássaro batendo asas
Onde céu e montanha abençoam o dia

É fácil sentir a beleza de saber amar
É deixar que uma música leve ao passado
O barulho da chuva, crianças correndo
Deus sorri. Feliz.

Feliz é a dança
Dançar é deixar.
Gestos e sons realizam um sonho

É a leveza dos movimentos
Belas curvas, cabelos tapeando o ar
Mulheres vibrantes
Uma emoção batendo

Flores apaixonadas respiram o futuro
É a beleza que mais uma vez raiou
Desta vez, num sorriso de um amor
A palavra se mostra pura

A beleza está em qualquer canto
Em qualquer olhar, em qualquer amor
É, também, um sentimento íntimo

A beleza é o que te encanta"

(A beleza - Alexandre Crof)
Doação de Alexandre Crof



"Vou te mostrar que é de chocolate
De chocolate o amor é feito
De chocolate
Choc Choc Chocolate
Bate o meu coração"

(É de chocolate - Michael Sullivan / Paulo Massadas)
Doação 'espontânea' de Flávia Nobre





"Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá

Parece meio estranho, hein?

Também um bico de pato
E um jeitão de sabiá
Mas se é amigo
Não precisa mudar
E é tão lindo
Deixa assim como está"

(É tão Lindo - Composição: Al Kasha/Joel Hirschhorn/Edgard Poças)

Doação de Tatiana Almeida (seguindo a onda da Flavinha)



"Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa"

(A Idade de Ser Feliz - autoria desconhecida)
Doação de Helena Lins




"Família: um grupo de pessoas chatíssimas, que não têm a menor ideia sobre como viver, nem a menor intuição sobre quando morrer"

(Oscar Wilde)
Doação de Clarissa Thomé

"Sogra não deve morar nem tão perto que chegue de chinelos, nem tão longe que chegue de mala"

(Autoria desconhecida - ouvida de uma amiga)
Doação de Clarissa Thomé



"Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente."

"O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo."

"A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente."

"E ainda: Viva sua vida como se hoje fosse o último dia!"

(Frases de domínio público)
Doação de Flávia Oliveira
(selecionei algumas...)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como nos velhos tempos

Todos os dias eu sou obrigado, em função do trabalho, a acompanhar diversos jornais na televisão. É inevitável sentir que as coisas estão piorando.

Caso Bruno: um jogador de futebol rico e bem-sucedido, capitão de um dos maiores times do Brasil, é acusado de mandar matar uma mulher. A morte é brutal. Os jornais a chamam de ex-namorada, mas ele afirma que só esteve com ela por vinte minutos. Ela aparece como uma oportunista, uma caçadora de pensão. Os dois tiveram um filho... Uma criança que crescerá sabendo que o pai não a quis, a mãe - que morreu indiretamente pelas mãos do pai - engravidou em uma orgia. A avó não cuidou da mãe quando deveria, mas agora cuida dela, o neto. A dúvida ficará: Por amor ou busca de pensão? E o avô não poderá chegar perto, pois é acusado de Pedofilia. Ah, claro... E pra melhorar a árvore genealógica, ainda existe um tio que está preso por estupro.

Caso Wesley: Um menino de 11 anos é ponto de resistência na comunidade em que vive e vai à escola. Em sala de aula, recebe uma bala perdida e morre. Os pais e moradores acusam a Polícia. A Polícia afirma que não houve operação na região e culpa os bandidos. No jogo de empurra, mais uma criança é enterrada. E nem vapor do tráfico ele chegou a ser...

Caso Mércia Nakashima: Uma jovem advogada desaparece. Dias depois o corpo é encontrado em uma represa. A família culpa o ex-namorado da vítima, um sujeito agressivo. O acusado se defende e diz que nada fez. Mesmo que seja o único suspeito... E o mais triste da história é que, para chegar a alguma conclusão, os maiores detetives do caso foram os membros da família.

Nos últimos dias, vimos a morte do filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas. Uma morte trágica e lamentável, sem dúvida. Alguns questionam o fato dos jovens estarem andando de skate em um túnel interditado... Mas o fato é que carros certamente não deveriam circular por lá. E circularam. Alguns dizem que em alta velocidade. A investigação poderá dizer melhor... Mas falando em investigação, onde estava o poder de Polícia na hora de fiscalizar o túnel? Ah, não era dever da Polícia em si. Mas por que policiais que pararam um carro na saída de um túnel interditado – por mais que estivesse “escuro” e que não desse para ver o carro em péssimas condições – deixaram os infratores seguir? E a Prefeitura? Por que interditou a via de acesso ao túnel e não interditou o retorno que dava acesso a ele? Por que não fiscalizou o local, seja para carros, seja para skatistas?

Isso para falar um pouco dos casos que estão em mais destaque nos últimos tempos. Somamos aí centenas de casos não resolvidos, esquecidos, arquivados, julgados, absolvidos ou condenados.

O que podemos concluir?

Entrei no blog para falar de como precisamos de paz. De como a vida anda pouco valorizada. E lembrei de uma música que me faz querer tempos mais calmos... Um saudosismo de uma época que não vivi. E que nem deveria ser melhor em tudo, mas um tempo que deveria ser de mais amor, como a música coloca.

Um dos autores da música é o Chico Anysio. Resolvi entrar no blog dele, para ver os textos, e me deparei com um questionamento sobre a morte de Rafael que fez o meu questionamento ir além.

Vivemos um tempo triste. Pessoas não sabem para o que viver.
Chico Anysio questiona Deus.
Eu questiono o Homem.

Não julgo crenças ou a falta delas. Não julgo questionamentos, pois são necessários. Acho que todos têm direito de acreditar, criticar e questionar o que bem entender. Nem me julgo mais por ter essa posição.

Mas, como comentei por lá...
Acho que o Homem ganharia mais se parasse de olhar para o céu pra criticar, questionar, lamentar ou pedir. Acho que o Homem ganharia mais se parasse de olhar também para o próprio umbigo. Se o Homem olhasse para o lado, tudo estaria melhor.

Palavras tornam as coisas simples e piegas, né? Falar é fácil..
Também acho. Eu esbravejo sempre que algo um pouco pior acontece comigo.
Mas é aos poucos que a gente aprende.
E uma coisa eu posso dizer... Procuro não fazer nada que atinja, mesmo que de leve, outra pessoa. Para mim, é o pior sentimento, saber que outra pessoa está pior por minha causa. Sem demagogia. E ter consciência social, saber que existem pessoas iguais em todos os lugares, faz a gente ser um pouco mais humano e menos bárbaro.

Assim, olhando para o lado, pessoas parariam de se vender a qualquer preço. (e veriam o quanto isso é ridículo)
Pessoas parariam de comprar as outras a qualquer preço.
Pessoas não seriam descartadas como lixo.
Pessoas respeitariam mais as regras sociais, por saber que além delas existem outras. E que as regras mais básicas, as mais racionais, estão aí para conviver, não para limitar.
Pessoas fariam o trabalho para que foram designadas. Veriam a importância do trabalho para os outros.
E, ao fim, não haveria o fim de doenças, distúrbios, desvios, violência, porque isto também é humano, mas haveria bem menos tragédias para ver e ler nos jornais.

Deixo aqui a música do Chico (o Anysio, não o Buarque) que me inspirou.
Se puderem, ouçam no vídeo que encontrei no Youtube, que dá mais clima.
Sei que a música em si - além do paz e amor – não fala diretamente disso tudo.
Mas mostra um Rio mais poético, menos violento. E isso - por si só - já emociona.
Já faz a gente querer mais... Mais paz.

Rio Antigo (Como Nos Velhos Tempos)
Alcione
Composição: (Nonato Buzar - Chico Anysio)

Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e sem frescão
O ontem no amanhã

Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais paz

Quero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
Taioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou

Quero um programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem

Quero a Cinelândia estreando "E o Vento Levou"
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais gravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos tempos

Quero um carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom

É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, pros lados do Hotel Leblon

Quero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes, zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas
Cidade sem Aterro, como Deus criou

Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil
Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor

Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do Amigo

Uma homenagem singela, como tantas que recebemos por e-mails e grupos sociais.

Uma ode à amizade.
Em uma música ímpar, com uma dupla única e um sentimento puro.




"Perdi um amigo pro fantasma da tentação..."
Melhor que isso... Só Bruno e Macarrão como dupla sertaneja.