Eis que sanciona-se uma lei e nova polêmica surge nos meios sociais.
E, claro, um novo comentário rabugento deve acompanhar.
Não me considero contra a moral e os bons costumes...
Sou um sujeito 'de bem', que não pensa apenas no próprio umbigo e sabe que a existência sem uma troca real e 'desinteressada' não tem muito sentido. No entanto, também não sou santo ou iluminado. O que vale dizer é que virtudes e valores foram agregados por educação e, posteriormente, por vivência e confirmação.
Explicado isso, vamos aos fatos.
Em 1969, o Governo Militar inseriu na grade curricular das escolas a disciplina denominada
Educação Moral e Cívica. Após a Abertura e a Constituinte, a matéria foi abolida por ser considerada uma imposição da Ditadura. Outra matéria abolida foi a famigerada OSPB, Organização Social e Política Brasileira. O nome já dá uma ideia do que a matéria se propunha a ensinar. Hoje, por considerar que as matérias ajudavam a instruir e construir para o bem o caráter de um cidadão, o Congresso rediscute a volta da matéria à grade curricular. (Instrução, caráter e Congresso numa mesma frase?...)
Mas a discussão sobre a questão chegou primeiro no Rio de Janeiro, com o sancionamento da apelidada "lei da Moral e dos Bons Costumes", criada por Myrian Rios. A notícia já chega com um tom de caça às bruxas, por vir de uma deputada com um histórico de exageros e imposições. Além disso, pelo que entendi, a lei não diz exatamente ao que veio... Trata-se de um "Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais"
(Espiritual num sentido de engrandecimento d´alma ou num sentido religioso? Vale lembrar que o Estado é laico e os ateus têm o direito de não resgatar nada), que não definiu quais projetos surgirão a partir dele. Tudo muito vago e ninguém até agora conseguiu explicar como diabo será aplicada a
lei que busca “promover o resgate da cidadania, o fortalecimento das
relações humanas e a valorização da família, da escola e da comunidade
como um todo."
A polêmica não mora apenas na aplicação da lei, mas na matéria.
Afinal, o que pode ser considerado um mau costume e o que é imoral (ou amoral)?
A meu ver, por exemplo, é uma grande contradição a lei ter sido sancionada pelo Sérgio Cabral. Pessoalmente, sem entrar no mérito de possíveis irregularidades governamentais, os descontroles demonstrados com palavras e atos já são motivos para acreditar que o governador não tenha muita moral para me dizer o que é um bom costume.
Como tudo na vida, a questão fica entre a boa intenção e a má gestão da ideia.
Não é
ruim ensinar
como funciona a sociedade, dar noção da organização política do país,
mostrar à criança até onde vai o direito dela e onde começa o da outra e
deixar claro quais os deveres de cada um para a harmonia do todo. Pelo contrário, é uma necessidade. O receio é sempre como e até
onde tal ensino pode influir. E quais serão as mãos que darão a medida do bom senso.
Quanto às fotos nuas de Myrian Rios, acho um ataque 'infantil e sem propósito'... Primeiro porque apenas fortalece a argumentação dela de transformação. Segundo porque mostra um tom de 'moralismo' não apenas do lado dela, o mais conservador... Quem ataca quer mostrar qual era o comportamento anterior dela, mas acaba indicando que, no fundo, também acha aquilo imoral. Terceiro porque - a meu ver - só seria uma agressão se, nas fotos, ela tivesse 'caída'. (E na verdade elas só nos fazem lamentar a ação do tempo).