sábado, 13 de março de 2010

Uma vez panfletário...

Prometi que esse espaço seria de teorias mais tranquilas. Que não abordaria revolta política ou social com muita frequência... Mas não dá para não ser o que a gente é.

Todos devem estar acompanhando a novela dos royalties do petróleo. Resumindo tudo o que entendi, estão querendo tirar o que já é do Rio e do Espírito Santo (os mais afetados) para dividir com o resto do Brasil, além do petróleo do pré-sal. Dividir as riquezas do resto do país com Rio e Espírito Santo, nem pensar...

Houve a tal votação na Câmara. A bancada fluminense, aliada a do estado vizinho, perdeu na votação. E o projeto de emenda seguiu agora para votação do Senado. Para, no final, segundo as esperanças de Cabral (o Filho, não o jornalista, nem o descobridor), ser vetado pelo presidente Lula e virar um novelão das 8.

Talvez a revolta fluminense não seja unânime. Eu mesmo prefiro não levantar bandeiras, embora ache que, se não for repartir todas as riquezas geradas pelas matérias-primas de todos os estados, é errado pegar a base de sustentação de um para "dividir" com os demais, num discurso quase bíblico. E não digo isso porque sou fluminense (do estado e da torcida), mas porque me considero justo.

Mas não quero fazer julgamento de valor. Cada um sabe do seu.
Venho denunciar posicionamentos e omissões.

Dos 46 deputados da bancada fluminense, dois votaram a favor da emenda e quatro não compareceram. Um deles alega que o voto foi computado errado. Vamos dizer que sim e que não é o caso de alguém com medo de assumir sua opinião (Nelson Bornier - PMDB).

O segundo que votou contra, segundo o portal Terra, "resolveu atender o apelo do irmão, o bispo R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, que tem templos espalhados pelo país inteiro". O deputado Adilson Soares (PR) foi honesto: ele é mesmo um cara-de-pau olhando para o próprio umbigo. Seu posicionamento não é de suposta justiça com o resto do Brasil, mas o de dar argumento para o irmão poder ganhar mais em cima dos fiéis. Conquistar a confiança... E, assim, ele mesmo poderá receber (quem não nos garante que ele sairá deputado por outro estado este ano?).

Além do "meu pirão primeiro" do PR, quatro representantes do povo fluminense não foram votar. Não foram nos representar. Todos alegaram motivos reais... Dois por motivos de saúde, dois por viagens ou missões internacionais.


É bom saber que o sistema legislativo brasileiro é tão "transparente e seguro" que apenas o deputado, em presença física, pode votar. Suplentes ou assessores não podem fazer por ele... Mas tirando a deputada Marina Magessi (PPS), que alegou ter passado mal por causa da diabete, os demais motivos são realmente mais importantes do que estar trabalhando para o que foram eleitos? (Não estou defendendo ela. Estou aceitando que as condições eram realmente de limitação física e pessoal. Assim espero...).


A deputada Suely (PR) foi socorrer um sobrinho. Não conheço a família dela, não sei qual a gravidade do caso. Mas será que somente a deputada pode ajudar o sobrinho? Será que a posição dela como congressista nacional pode esperar?






O deputado Vinicius Raposo Carvalho (PTdoB) estava em missão oficial na Antártida!!! Que missão é essa? Como esse cara foi parar lá?



A assessoria de imprensa do deputado Rodrigo Maia, líder do DEM, informou que "o deputado está em missão oficial no exterior". E só. Sem detalhes. O líder do DEM não precisa dizer mais nada. Ele é líder... Pode desaparecer. Não precisa ir para a Câmara, onde - não sei se mencionei - ele é líder. Vale dizer que o partido inteiro votou a favor da emenda, o que pode indicar que o deputado não queria se indispor com o partido nem com as lideranças fluminenses. Mas não... Não foi isso. Ele é líder e teve que ir ao exterior. Só isso. Filho de Cesar, Cesinha é...


Claro que tudo isso está sendo levantado por causa da novela dos royalties. Mas o que quero é chamar a atenção para os motivos que fazem nossos representantes não nos representar.

No meu trabalho, eu só falto se realmente passo mal. Se o problema com um familiar é de vida ou morte. No mais, eu tenho que estar presente... Ou sou descontado. Será que isso acontece com nossos parlamentares?

Missões ao exterior? São missões fundamentais para o país? Por que o Legislativo vai a missões ao exterior? Por que o Legislativo vai a missões ao exterior que não podem ser mencionadas? Que lei é essa cuja matéria implica em um conhecimento maior da Antártida?

Será que vamos reeleger parlamentares que votam a benefício próprio?
Será que vamos eleger parlamentares ausentes?

Ano de eleição... Cada um sabe de seu voto.
Eu tô procurando o meu.
E já estou encontrando alguns que não merecem levá-lo.

5 comentários:

Fêr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dany Braga disse...

adorei. Texto sensacional e esclarecedor! Adorei o layout tb! Dany

Alan DB disse...

Fer... eu não sei se é concedido apenas pelos problemas ambientais.Acho que é tipo uma licença, mas de exploração do território. Está mais pra economia mesmo. Entre os aspectos, deveria esta o ambiental, é claro. Mas não seria só isso. Em todo caso, se fazer de coitado é ridículo mesmo. Mas se levarmos em consideração que nego vai continuar roubando,que a politicagem continua, não vai mudar, esse dinheiro que será redistribuído realmente vai fazer uma diferença pra "nós"... Não era o Sérgio Cabral quem deveria estar chorando. É aquilo... Se Caxias quebrar, quem vai ser afetado primeiro, o prefeito ou os professores?

Fêr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anna disse...

Adorei o texto principalmente a parte da crítica ao deputado que estava na Antártida!
Olha eu acho que Sérgio Cabral chorou porque já sentiu o futuro rombo em sua conta bancária, acho também que ele aproveitou para prometer mundos e fundos com esse dinheiro dos royalties agora que ele tá quase saindo do orçamento fluminense (o estado recebe ele há anos e a saúde está essa maravilha que todos conhecemos...). Cabral prometeu que o dinheiro seria para saúde e ainda apelou para a ameaça de acabar a Copa do Mundo e as Olímpíadas aqui no Rio... Enfim ele colocou como se aquele dinheiro fosse a salvação para todos os problemas do estado. Fez papel de palhaço para sair como governador que se preocupa com o povo quando na verdade só está ligando para si e para o empresariado...