quarta-feira, 19 de maio de 2010

Namastê ao fim...

Eis que a última semana chegou. O fim está próximo.

No início do ano afirmei que uma das minhas metas era assistir à última temporada de Lost. A mais fácil de cumprir... E a única que realmente acreditava que iria conseguir.

Desde o início, a série foi marcada por muita polêmica.
A última temporada não poderia ser diferente...

Fumaça preta, Os outros/hostis, sussurros, ursos polares, curas milagrosas, crianças especiais, mortos que reaparecem, escotilha, eletromagnetismo, Iniciativa Dharma, a cabana, equipes de resgate misteriosas, viagens no tempo, Jacob, Homem de Preto etc. Uns assistiram a alguns episódios, não entenderam nada, não gostaram da confusão e pararam de ver. Outros gostaram no início, mas "a série começou a desandar" e eles pararam por ali. Outros gostaram do desafio e seguiram até aqui. Agora, alguns dos que seguiram estão decepcionados e alguns estão satisfeitos. Eu faço parte do último grupo.


Começei a assistir Lost nos primeiros episódios da primeira temporada, quando foi exibida pela Globo. Via os comerciais e achava que era mais uma série que não me diria muito. Pessoas perdidas em uma ilha depois da queda de um avião? A Globo tem tradição em exibir filmes e séries de tragédia... Vão terminar enfrentando correntezas de rios, subindo montanhas, acampando na selva e comendo os mortos. Até o dia do resgate chegar...

Mas não era por aí (embora eles também tenham enfrentado algumas desventuras mais comuns na mata). Não era mais uma série de tragédia... E o que me atraiu de cara foi o recurso do flashback. Cada episódio era centrado em um sobrevivente, e parte das reações deles na ilha tinham relação com a vida pregressa. Além dos mistérios que foram surgindo, podíamos acompanhar a história de cada personagem por outra perspectiva.

Mas os mistérios também eram grandes. A primeira temporada chegou ao fim com um grande mistério no ar. E eu descobri que a segunda temporada começaria no AXN (que diabo de canal é esse?) logo depois... Não precisaria esperar um ano.


Mais mistérios vieram com a segunda parte. Mais personagens surgiram... E o foco foi se voltando também para a ilha. Cada vez mais fazíamos a mesma pergunta: que lugar é esse onde foram parar? Algumas respostas vinham pela ciência e outras pela fé. E o embate entre as duas aparecia na história da série e na forma de apreciação dela: alguns viam por causa da explicação lógica, outros pela crença dos personagens.

Depois do término da segunda temporada, não teve como... Teria que esperar um ano pela próxima. Segui acompanhando as notícias pela internet. Boatos, spoilers e, claro, as teorias. A surpresa veio na escalação da terceira temporada: Rodrigo Santoro em Lost.

E a terceira temporada começou a ser exibida lá fora. Mas aqui nada... Um ou outro amigo já estava baixando os episódios pela internet, mas eu não era tão evoluído.

A temporada chegou na AXN alguns meses depois, contando um pouco a história de 'outras' pessoas importantes no contexto da ilha. E Rodrigo Santoro estava lá... Mas ele chegara com o avião? Como assim? Não o vimos até agora?...




Poucos episódios depois, Paulo e sua namorada Nikki, que não caíram nas graças dos fãs (nem dos próprios criadores), morreram. Brasileiro só leva na cabeça...

Mas a terceira temporada terminou com uma nova forma de contar a história. Os fãs vibraram.

Na mesma época, uma notícia chegou pela internet: teremos mais três temporadas de Lost... Os produtores decidiram o tempo certo de duração da série. Para os fãs, mais três anos de espera, e satisfação.




Na quarta temporada, a tecnologia evoluiu para a minha realidade... Aprendi como os internautas capacitados trabalhavam e baixavam seus vídeos de forma rápida e eficiente. Começei a acompanhar a série na semana que ia ao ar nos EUA. A quarta temporada trouxe mais mistérios, explicações científicas mais complexas e uma possibilidade de resgate para os 'perdidos'.


Na quinta temporada, a minha facilidade de acompanhamento cresceu. Não esperava mais tantos dias para baixar os episódios... A conexão e as ferramentas já permitiam que eu visse a série no dia seguinte. Alguns foram vistos assim, outros nem tanto. Mas a possibilidade de assistir logo depois já bastava. A temporada subverteu o tempo-espaço e terminou com a preparação da última: esta aí o jogo que estamos jogando.


A sexta temporada começou com expectativa. E buscando informações, descobri uma nova maravilha: o streaming. Com este, a última coisa que faltava aconteceu... Começei a acompanhar a série ao vivo! Embora ainda muito lenta para a minha exigência, a ferramenta realmente foi um achado. Consegui ver poucos por esse recurso, mas ele já ajudou. Além disso, os vídeos para baixar começaram a ser disponibilizados pouco tempo depois... Questão de poucas horas para os fãs assistirem o episódio... Com legenda! Salve os "nerds" de plantão!


E aqui estamos.
Depois de contar minha longa trajetória, repleta de confissões da minha relação com a "pirataria internética" (quem nunca fez ou teve vontade, que atire a primeira pedra), passo ao real objetivo do post.

Há poucos dias do episódio final, muitas críticas à história partem de fãs da série. Fãs decepcionados com as explicações. Querendo mais ou outras respostas... E com "buracos", falhas da trama. Não sei quanto à experiência alheia, mas embora possa parecer que a série tenha sido um grande vício, posso afirmar que encarei tudo de forma bem saudável. E acredito que tenha compreendido o objetivo final.

O que foi Lost para mim?
Uma série sobre pessoas, como os próprio produtores afirmaram, mas sem necessariamente repeti-los. Uma série que mostra o quanto o homem fica perdido frente à frustração de uma decisão errada ou de algo que fuja a seu controle. E o quanto ele é pequeno e fraco, mas ao mesmo tempo interessante. Uma série para refletir sobre a complexidade do ser humano, pois nenhum é bom ou mau por natureza (vide Dr. Linus). Uma série que questiona o que é a vida... Destino? Livre Arbítrio? Uma série que questiona as respostas... Afinal, como descobriremos as verdades, pela Ciência ou pela Fé? Uma série que mostrou como a humanidade encara o mistério da vida, em épocas diferentes.

E mais... Uma série que deu uma aula sobre como obras abertas podem prender milhões por seis anos. Sobre como o público reage de maneira diferente à mesma motivação... Além, é claro, de mostrar a expectativa de "homens da Ciência" e de "homens da Fé" como espectadores. Sobre como a interpretação de uma história pode variar, gerando compreensões diferentes. Afinal, alguns fãs captaram algumas informações e foram atrás de suas próprias verdades. Outros ligaram pontos, tentando encontrar a verdade da série (que, como na vida, nunca foi absoluta e, por isso, decepciona alguns). E outros simplesmente entenderam tudo errado (sim, sim... E não falo dos que cobram por respostas. Falo de pessoas que realmente criam teorias mais viajantes, sobre coisas que nunca foram ditas).

Algumas respostas não serão dadas... Os produtores/criadores da série, Carlton Cuse e Damon Lindelof, afirmaram há tempos. Por um lado, porque algumas configuram mistérios... Daqueles que existem na vida real. Por outro, porque eles não querem contar a história dos outros (dentro e fora da série). Eles querem contar a história deles. O resto fica na imaginação de cada um.

Lost é uma história. Uma das obras de ficção mais complexas e rentáveis já realizadas pela TV. Talvez Cuse e Lindelof realmente tenham se perdido na complexidade da história (até pra isso, o título da série é álibi). Embora digam que tivessem noção do que queriam fazer e de onde queriam chegar, eles já afirmaram que muita coisa foi criada no caminho (A prova maior é que, a princípio, Jack morreria nos primeiros episódios da série). Mas o que vale no final é ter acompanhado, questionado, refletido, compreendido e aprendido com a história. Além, é claro, de ter torcido pelos personagens.

A saudade fica... Daquela expectativa por mais, que sempre batia em um momento de bobeira, quando eu lembrava da série. E por mais que muitos digam o contrário (ou estejam esperando a conclusão para "avaliar"), para mim a série foi muito bem sucedida.

Que venha o fim.


E que ele seja festejado por trajetória e significado.

Porque a lição maior é saber que as coisas são do tamanho que damos a elas.
(Opa... Exagerei. Só faltou dizer: porque metade de mim é amor, e a outra metade... também).

Um comentário:

Ana Beatriz disse...

Muito bom Alan! Lost é espetacular!