terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vesti Azul

Um dia estávamos no trabalho e ouvíamos na MPB FM o show ao vivo do Tributo a Simonal, quando a nobre colega a minha frente, sociável e positiva, perguntou:
- Que diabo* é isso? Música de criança?
(* Eu sei... Ninguém mais usa esse termo... Mas uso diabo, porque a palavra usada na hora certamente foi mais chula)

"Mamãe passou açúcar nimim..."
"Papapapapa... Papapapapa..."
E outras onomatopeias e simulações instrumentais...
Ela não estava gostando do som, mas eu não me importava, pois já estou habituado (tanto com as músicas do Simonal, quanto com o fato da metaleira não gostar do som).

Eis que Max de Castro e Simoninha, os mestres de cerimônia, puxam uma música que faz minha colega fechar novamente a cara. Como sou uma pessoa altruísta e gentil, fiz o que minha personalidade solidária pediu... Com um sorriso aberto no rosto, comecei a cantar a música em alto volume e me embalar na cadeira, para que o ambiente de trabalho se elevasse. Um olhar de puro ódio veio em minha direção, como agradecimento.

Quem me conhece, sabe que essa relação é de sincera amizade.
Faço parte de um seleto grupo de amigos - com comunicação interna e reuniões um tanto irregulares - do qual fazem parte 11 nobres senhores com uma qualidade em comum: a escrotidão.
No melhor sentido que essa palavra pode ter...
Para honrar minha cadeira nesta instituição, sei que preciso exercitar diariamente minha característica mais expressiva.

O meu lado escroto revela-se na provocação e no deboche.
E quem me conhece sabe que, quanto mais intimidade, mais deboche virá.
Por isso, começar a cantar a música que desagrada o outro tem apenas dois objetivos: mostrar que, ao contrário da outra pessoa, eu gosto da música e, claro, descontrair... Nada melhor para descontrair do que fazer o inverso do que a pessoa espera. A irritabilidade intencional, quando compreendida, sempre transforma a cara amarrada em riso e traz aquela frase que um lodo quer ouvir: 'Você é muito escroto!'

Corta. Volta para narrativa...

Neste dia, saí do trabalho com a música na cabeça.
Poucos dias se passaram, até chegar mais um de meus dias rabugentos e pessimistas. Estava buscando um alento, prevendo mais um dia de trabalho árduo... Precisava transformar aquele dia. E a música voltou a tocar.



Joguei esse vídeo no Facebook e como pessoa totalmente influenciável e iludida, vesti azul. Minha sorte certamente iria mudar...

Cheguei no trabalho e, durante o dia, tudo aconteceu.
Umas três pessoas faltaram, trabalho acumulando, muitos pedidos.
E muita piada depois que contei o porquê da camisa azul.
"Minha sorte então mudou..." Pra pior.

Mas no dia em que minha sorte mudou pra pior, consegui encarar tudo com bom humor. Para isto, aquele azul serviu.
Não segui o dia maldizendo o azar... Apenas aceitei e ri.
Talvez tudo já estivesse programado e o azul melhorou a minha forma de encarar o dia.

Por que somos tão influenciados por superstições?
Por que achamos que nossa vida dependerá dessa ou daquela coisa?
Na verdade, não sei...

Só sei que, depois deste dia, não posso mais usar aquela camisa...
Uma camisa pólo com um azul vivo, indisfarçável.
Sempre tem alguém para me lembrar que minha sorte está para mudar.
E é batata.
Lembram da camisa, a coisa toda aperta e a sorte muda...

Da próxima vez, visto marrom.
Ou conheço antes o tal "brotinho" de olho azul, pra coisa toda fazer mais sentido.

2 comentários:

Brno Campos disse...

Azul dá sorte mesmo!

Brno Campos disse...

Azul dá sorte mesmo!